Quem eu sou?
Poeta, atriz e slammer, Luiza Romão nasceu em Ribeirão Preto, em 1992, e desenvolve uma trajetória artística que articula literatura, teatro e performance. É Mestra em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Bacharela em Direção Teatral pela mesma instituição (ECA/USP) e formada pela Escola de Arte Dramática (EAD/USP), também possui especialização em Interpretación ante la cámara pela Central del Cine, em Madrid. Durante sua formação, realizou pesquisas de Iniciação Científica sob orientação de Sérgio de Carvalho e Antônio Araújo, aprofundando sua investigação sobre linguagem cênica e poética.
Desde 2013, participa ativamente da cena de slams e saraus, espaços de expressão artística e construção coletiva da palavra, nos quais realiza performances, shows e espetáculos. Sua atuação contribui para a valorização da poesia falada como prática cultural contemporânea e como ferramenta de reflexão crítica.
No teatro, integrou coletivos como Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, Teatro Documentário e Cia Ato Reverso, trabalhando com diferentes encenadores e ampliando sua experiência em processos colaborativos de criação. Sua produção artística investiga as relações entre palavra, corpo e imagem, explorando a poesia em diálogo com a performance e o cinema. Entre seus projetos, destaca-se a websérie Sangria, que circulou por mostras e festivais no Brasil e em países da América Latina.
Como arte-educadora, atuou em programas como Vocacional, Fábrica de Cultura, Ademar Guerra e Juventudes/SESC, desenvolvendo práticas voltadas à formação artística de jovens e ao estímulo da expressão autoral.
É autora dos livros Coquetel motolove (2014), Sangria (2017), Também guardamos pedras aqui (2021) — obra vencedora do Prêmio Jabuti nas categorias de Melhor Livro de Poesia e Livro do Ano, além de semifinalista do Prêmio Oceanos — e Nadine (Editora Quelônio). Sua escrita se destaca pelo diálogo entre experiência individual e questões sociais, convidando leitores e ouvintes à escuta sensível e ao pensamento crítico.
LABORATÓRIO DE TEXTOS
polixena
faz mais de três milênios ontem
era areia e eles carregavam flechas
era música e eles beberam demais
era túmulo e desvario
ser isca e esconder a dor
conheço essa cicatriz
se houvesse provas diferença alguma
você fez o que pôde
nem esse quarto nem nossos primos
nem o oficial que escaneava digitais
a vergonha vem a galope
pelo menos ganhamos a guerra
mas nem isso











