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Proposta pedagógica 1

Em “Dias Raros” o autor apresenta catorze histórias em que os temas centrais são a família e a infância, abordando as relações entre pais e filhos através do cotidiano, que nem sempre é fácil e leve, e de situações menos corriqueiras, como viagens e campeonatos de futebol. Assim, esta é uma obra que nos proporciona trabalhar a partir de vários elementos sensíveis: memória, cotidiano, afetos, tempo e relações humanas.

Crie uma atmosfera intimista, com pouca luz, muita respiração e silêncio. Estimule que escolham uma memória de infância que tenha se tornado por algum motivo especial. Que lembrem dos detalhes do lugar, pessoas envolvidas, sensações do momento.

Separe a turma em grupos de até cinco estudantes e peça para que compartilhem suas histórias entre si.

Na sequência dê o comando para que escolham uma das memórias compartilhadas. Somente após a escolha explique o que será feito:

Devem criar uma cena sem utilizar a fala, onde esta memória seja “mostrado” para os outros grupos. Que escolham precisamente como ela começa, como ela termina, sem que ninguém avise que “acabou”. É muito importante que utilizem apenas objetos imaginários, e não concretos.

Após um tempo de elaboração de no máximo quinze minutos (pois este é um exercício de improvisação planejada e não de interpretação) organize a sala em formato palco/ plateia e oriente a apresentação de cenas. Ao final de cada uma, pergunte somente à plateia:

  • Onde eles estavam?

  • Quais personagens estavam presentes? Eles faziam o quê em cena?

  • Qual a memória trazida sob o ponto de vista de quem assiste?

Os alunos atores apenas escutam e observam as observações dos colegas, sem interferir ou explicar o que fizeram.

Proposta pedagógica 2

A partir do conto “Aquela água toda”, encontrado no livro homônimo, você conseguirá trabalhar muito bem o conceito de temporalidade textual.

João Carrascoza constrói uma narrativa delicada centrada na memória de um momento aparentemente simples da infância, que ganha densidade emocional à medida que é rememorado: um dia na praia, o seu antes e o seu depois.

A história acompanha a experiência de um narrador que revisita uma situação vivida ao lado de figuras familiares, marcada pela presença simbólica da água, elemento que atravessa o texto como metáfora de fluxo, passagem e transformação. Mais do que cenário, ela funciona como imagem central que dilui fronteiras entre passado e presente, memória e sensação, conduzindo o leitor a perceber como certos instantes, ainda que breves, permanecem profundamente inscritos na subjetividade.

Dê um tempo para que, em sala de aula, os estudantes realizem uma leitura individual e silenciosa do texto. Logo na sequência, proponha uma leitura coletiva do mesmo, e só então direcione a aula para uma espécie de debate, enquanto toma notas na lousa, organizando os pensamentos e elaborações suscitadas.

Dicas de condução:

  • Reconstruir a cronologia do conto.

  • Criar uma linha do tempo alternativa

  • Identificar nesta cronologia os flashbacks e rupturas temporais

  • Qual ou quais as funções do elemento água?

  • Como a memória interfere na narrativa?

Proposta pedagógica 3

Apresente de três a cinco textos da obra “Poesia em linha única” e realize a leitura em voz alta, mais de uma vez, permitindo que os alunos percebam nuances sonoras e de sentido. Em seguida, proponha a seguinte pergunta disparadora: como um texto tão curto pode dizer tanto?

Nesse momento, os estudantes são convidados a refletir sobre o que está explícito nos textos, o que precisa ser inferido e qual palavra parece essencial para a construção de sentido.

Na etapa seguinte, voltada à análise do mínimo, separe os alunos em grupos de até cinco participantes. Cada grupo deve escolher um dos poemas e responder a algumas questões orientadoras: qual é o tema, que imagem o texto cria e o que não está dito, mas pode ser percebido. Como desafio, proponha que reescrevam o poema em três linhas e, depois, comparem com o original, avaliando se o texto ganhou ou perdeu força com a ampliação.

Caso queira prosseguir com um desdobramento desta atividade, pode conduzir para um momento dedicado à escrita criativa. Os alunos, de maneira individual, são convidados a produzir poemas de uma única linha, inspirados em temas como memória, cotidiano, silêncio, afeto ou ausência. É importante estabelecer algumas regras: o texto deve ter apenas uma linha, evitar explicações diretas e privilegiar o uso de imagens e sugestões.

Numa última etapa, solicite que cada estudante escolha seu melhor poema para compartilhar com a turma em uma leitura em voz alta, em formato de sarau. Como dinâmica, os poemas podem ser expostos na parede da sala, permitindo que os colegas leiam e interpretem seus sentidos antes que o autor revele sua intenção, estimulando assim a multiplicidade de interpretações.

Proposta pedagógica 4

A esta atividade podemos nomear como “Objeto Narrador”. É uma atividade que convida os estudantes a deslocarem o ponto de vista tradicional da narrativa, assumindo a perspectiva de um objeto do cotidiano.

Avise, com antecedência à realização da atividade, para cada aluno escolher um objeto pessoal significativo. Pode ser algo que carregue diariamente, como uma mochila, um caderno, um celular, ou mesmo um item mais afetivo, como uma peça de roupa, um presente ou um objeto guardado há muito tempo. O critério principal é que esse objeto tenha alguma relação com sua história, suas memórias ou sua identidade.

A partir dessa escolha, oriente os estudantes a escrever um fragmento narrativo em que o objeto se torna o narrador da história. Ou seja, o texto deve ser construído em primeira pessoa, como se o próprio objeto pudesse observar, sentir e interpretar o mundo ao seu redor. A proposta não é apenas descrever o objeto, mas permitir que ele revele aspectos da vida do seu dono: seus hábitos, emoções, conflitos ou transformações. 

É importante orientar os alunos a explorarem a linguagem sugestiva, evitando explicações diretas. O objeto pode, por exemplo, “guardar segredos”, “presenciar silêncios” ou “sentir o peso” de determinadas situações, criando metáforas que ampliem o significado do texto. Além disso, o fragmento pode dialogar com a proposta de escrita fragmentada inspirada em João Carrascoza, privilegiando cenas breves, imagens marcantes e um tom intimista.

Após a produção, os textos podem ser compartilhados em leitura em voz alta, sem que o objeto seja revelado inicialmente. Os colegas tentam identificar quem ou o que está narrando, o que estimula a escuta atenta e a interpretação.

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João
Carrascoza

Baú de ideias

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