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Baú de ideias

Kaká Werá
Jekupé

Proposta pedagógica 2

Solicite com certa antecedência que cada aluno colha em sua própria casa, de preferência com os seus mais velhos, uma história que vem sendo contada há bastante tempo, através das gerações.

 

Agende um ou mais dias, para que cada aluno conte sua história para os demais, que devem escutar sem interromper. Naturalmente os alunos trabalharão aqui três aspectos muito presentes no cotidiano da oralidade indígena: a valorização da escuta, a memória e o respeito à fala do outro.

proposta pedagógica 3

Vamos aprender com o silêncio?

A partir de uma atividade guiada ao ar livre (ou espaço tranquilo), proponha aos alunos alguns minutos de silêncio e observação.

 

Oriente para que tentem se conectar com o ambiente através da percepção do mesmo, utilizando seus sentidos: olhar, ouvir, cheirar, perceber. Para tal é necessário alcançar um estado de desaceleração, algo muito presente no cotidiano indígena.

 

Para finalizar, proponha um registro posterior em forma de texto, desenho, ou até palavras soltas, que reorganizadas segundo algum critério, possam demonstrar algum sentido.

 

Não deixem de conversar a respeito da experiência proporcionada pela atividade.

proposta pedagógica 4

Em A Terra dos Mil Povos, o escritor indígena Kaká Werá Jekupé apresenta a riqueza e a diversidade dos povos originários, mostrando que o Brasil é formado por múltiplas culturas, saberes e modos de viver. Por meio de uma escrita que mistura narrativa, reflexão e elementos poéticos, a obra convida o leitor a compreender a relação profunda entre ser humano, natureza e espiritualidade, ao mesmo tempo em que valoriza a identidade, o pertencimento e o respeito às diferenças culturais.

 

Tendo como inspiração esta obra, proponha que os alunos construam individualmente um “mapa de pertencimentos”, respondendo às seguintes questões:

  • A quais grupos eu pertenço? (família, bairro, cultura, escola, etc.)

  • Que tradições ou costumes fazem parte da minha vida?

  • Que “territórios” (não só físicos, mas simbólicos) são importantes para mim?

 

Eles podem criar essa representação concreta da maneira que escolherem. Pode ser um texto, um desenho, um mapa visual, uma colagem, um vídeo, etc.

Encontre um momento onde consigam partilhar suas produções ao final do processo.

Proposta pedagógica 5

Esta atividade permitirá aos alunos comparar diferentes formas de explicar o mundo. Afinal, existe apenas uma forma válida de conhecimento?

 

A proposta de debate ganha força justamente porque rompe com uma visão hierárquica do conhecimento e convida os estudantes a compreenderem que diferentes culturas, como as expressas nas obras de Kaká Werá Jekupé, constroem explicações legítimas sobre o mundo a partir de outros referenciais.

Crie grupos de até cinco alunos e distribua as seguintes temáticas de pesquisa e reflexão:

 

Grupo 1 – Mito indígena: Ex.: narrativas de criação (como as presentes no universo de Kaká Werá Jekupé)

Grupo 2 – Ciência. Ex.: Big Bang, evolução, explicações físicas e biológicas

Grupo 3 – Religião. Ex.: Gênesis ou outras tradições religiosas

 

Cada um dos grupos deverá elaborar um texto que deve obrigatoriamente responder às seguintes questões: Como essa visão explica a origem do mundo? Quais são suas bases (experiência, fé, método, tradição)? Qual é seu objetivo principal (explicar, orientar, dar sentido, organizar a vida)?

 

Para finalizar a atividade, a turma retorna à sua completa composição e você, professor, deverá mediar e provocar um debate a partir de perguntas bem elaboradas. Sugerimos algumas a seguir:

 

  • A ciência responde a todas as perguntas humanas?

  • O mito “explica” ou “ensina”? Isso faz diferença?

  • É possível comparar diretamente ciência e religião?

  • O que torna um conhecimento “válido”?

  • A ciência explica o “como”. Quem explica o “porquê”?

  • Um conhecimento precisa ser comprovado para ter valor?

  • O que acontece quando uma cultura impõe seu modo de conhecer como único?

 

Eis uma regra muito importante: durante o debate os alunos deverão argumentar sem desqualificar outras formas de saber.

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Proposta pedagógica 1

“ No princípio, não havia caminhos nem nomes.

Tudo era silêncio, mas um silêncio cheio de vida por nascer.

 

Então surgiu Tupã Tenondé, o primeiro som, a primeira presença.

Ele não criou o mundo com as mãos, mas com a palavra.

 

Ao dizer, fez existir.

Ao nomear, deu forma.

 

Assim nasceram o céu, a terra, as águas e os seres.

Tudo passou a ter espírito, tudo passou a ter ligação.

 

E o ser humano surgiu para lembrar:

que viver é manter o equilíbrio,

é escutar a natureza,

é não esquecer a origem de todas as coisas.”

 

O trecho acima é um fragmento adaptado da obra Tupã Tenondé, especificamente das primeiras páginas, onde o autor trata da criação do mundo a partir de perspectivas indígenas. Além de explicar como tudo começou, antes dos humanos organizados em sociedade, apresenta a palavra/voz/som como origem e traz uma visão de mundo integrada entre natureza, espiritualidade e existência.

 

Após colocar os alunos em contato com o texto acima, inicie um debate a partir de perguntas disparadoras:

  • Como o texto descreve o “início de tudo”?

  • O que significa dizer que havia um “silêncio cheio de vida por nascer”?

  • Quem é Tupã Tenondé no texto? Ele é uma pessoa, uma força, uma ideia?

  • Qual é o papel da palavra na criação do mundo?

  • O texto parece mais uma história, um poema ou um ensinamento? Por quê?

  • Você percebe elementos de oralidade (como se alguém estivesse contando)? Quais?

  • Que ensinamento o texto traz sobre a relação entre seres humanos e natureza?

  • O que significa “manter o equilíbrio” nesse contexto?

  • Você conhece outra história que explique a origem do mundo?

  • O que muda nessa versão em relação a outras que você já viu (religiosas ou científicas)?

 

Peça aos alunos que escrevam um pequeno parágrafo, começando a primeira frase da seguinte forma: “No princípio…”.

O objetivo é fazer com que os alunos criem sua própria versão da origem de algo (do mundo, de um sentimento, de um lugar etc.), incluindo: um elemento simbólico, uma ação criadora (como som, palavra, gesto etc.) e um ensinamento final.

 

Dessa forma a atividade preserva o tom poético, oral e reflexivo da obra, ao mesmo tempo em que facilita o acesso ao conteúdo desenvolvido pelo autor.

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