


Proposta pedagógica 1
Esta atividade tem como base a obra “Fala Sério Mãe!”, e inicia-se com a leitura orientada de trechos selecionados. Esses trechos devem apresentar momentos em que mãe e filha narram situações semelhantes. O objetivo é que os alunos identifiquem diferenças de linguagem, tom e interpretação entre as vozes narrativas.
Na sequência, proponha um debate guiado. A pergunta central pode ser: “Os adultos entendem os jovens?”. A turma deve ser dividida em grupos, e cada um deles deverá escolher um ponto de vista para defender: mãe ou filha.
Como núcleo da proposta, os estudantes produzem então um texto narrativo, que deve ter duas partes: A primeira narrada pelo jovem e a segunda será narrada pelo adulto. Atenção: ambas devem tratar do mesmo episódio! Oriente os alunos a modificar a linguagem, perspectiva e interpretação emocional.
Opcionalmente, pode haver uma ampliação, onde os alunos reescrevem a cena em contexto contemporâneo, incluindo elementos como redes sociais e aplicativos de mensagem. Sem dúvida essa prática aproxima a narrativa do cotidiano dos estudantes.
Como fechamento, realize uma roda de conversa. Os alunos devem refletir sobre a experiência de escrever a partir do olhar do outro, discutir como a mudança de perspectiva altera a compreensão dos conflitos e, por fim, questionar se existe apenas um ponto de vista correto nas relações familiares.
Proposta pedagógica 2
A proposta parte da provocação inicial “Fala sério...”, entendida como um disparador de fala autêntica muito usado pela autora.
O ponto de partida são perguntas norteadoras que mobilizam identificação imediata dos estudantes, como: o que gostariam de dizer, mas não conseguem; quais situações da escola geram conflito, vergonha, medo ou humor; e o que significa crescer na contemporaneidade. Essas questões devem ser exploradas oralmente em um primeiro momento, em roda de conversa mediada, criando um ambiente de escuta e confiança.
Em seguida, é importante apresentar brevemente o universo da autora, destacando como sua escrita se aproxima da experiência adolescente por meio de uma linguagem acessível, afetiva e marcada pelo humor. Você pode ler pequenos trechos ou mesmo apenas comentar características, incentivando os alunos a perceberem que suas próprias vivências podem se transformar em narrativa. Essa etapa ajuda a legitimar a voz do estudante como matéria literária.
A etapa central da proposta é a produção textual. Os alunos deverão escolher um dos disparadores sugeridos — “Fala sério, escola...”, “Fala sério, adolescência...”, “Fala sério, família...”, “Fala sério, internet...” ou “Fala sério, crescer...” — e desenvolver um texto curto em um dos gêneros propostos, como carta, desabafo, mini crônica, diálogo, mensagem de WhatsApp, postagem ou relato humorístico. A orientação principal é que o texto mantenha um tom pessoal, direto e expressivo, valorizando a oralidade e a espontaneidade, características presentes na obra de referência. É importante também estimular que o aluno trabalhe com emoções ambivalentes, misturando humor, crítica e reflexão.
A socialização dos textos é uma etapa fundamental. Ela pode ocorrer por meio de leitura em voz alta, exposição em mural, ou mesmo simulação de redes sociais em sala. É preciso mediar esse momento com cuidado, garantindo um ambiente de respeito e valorização das experiências compartilhadas.
Por fim, sugerimos retomar as perguntas iniciais e promover uma breve reflexão coletiva sobre o que emergiu dos textos. Os alunos podem discutir se foi fácil ou difícil “falar sério”, o que descobriram sobre si mesmos e sobre os outros, e de que forma a escrita pode funcionar como espaço de escuta e elaboração das próprias experiências. Essa finalização reforça o papel da literatura como ferramenta de construção de sentido e de identidade.
Proposta pedagógica 3
A partir da obra “Confissões de um garoto tímido, nerd e (ligeiramente) apaixonado”, vamos propor uma atividade que parte da compreensão de que a narrativa do livro se organiza como uma confissão íntima, marcada por humor, insegurança e descobertas afetivas, na qual o protagonista observa o mundo e a si mesmo com ironia, revelando dilemas típicos da adolescência relacionados à timidez, ao pertencimento e às relações afetivas.
O desenvolvimento da atividade inicia-se com um momento de aquecimento oral, em que você, professor, propõe perguntas disparadoras que favorecem a identificação dos alunos com o universo da obra, como:
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O que caracteriza alguém como tímido na contemporaneidade?
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Ser nerd ainda é visto como um problema ou como uma forma de identidade?
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Quais situações fazem com que os jovens se sintam deslocados?
A ideia é ativar repertórios e criar um ambiente de reconhecimento e escuta, preparando os estudantes para a etapa seguinte, que consiste em uma leitura orientada de trechos selecionados da obra, nos quais o protagonista revela suas inseguranças, observa situações sociais envolvendo escola, amizades e paixões, e utiliza o humor como estratégia para lidar com seus desconfortos, permitindo que os alunos identifiquem o tom confessional e humorístico característico da narrativa.
Na sequência, oriente os alunos a produzirem individualmente um “Manual secreto de sobrevivência adolescente”, no qual assumem o papel de autores de suas próprias confissões, elaborando um texto estruturado em tópicos curtos que funcionam como regras ou conselhos irônicos sobre situações típicas da adolescência. O texto deve partir de um título como “Manual (não oficial) para sobreviver a...” e desenvolver orientações que misturem humor e verdade, incluindo pequenas cenas ou exemplos que revelem experiências concretas, evitando respostas idealizadas e valorizando contradições e imperfeições, de modo que o manual possa assumir um caráter propositalmente fragmentado e até caótico, em sintonia com a complexidade dessa fase da vida. A escrita pode ser realizada em primeira pessoa ou em tom de aconselhamento irônico, desde que preserve uma voz autoral clara e coerente.
Para atingir outras camadas de relação com a atividade/ obra, proponha a inclusão de uma “confissão escondida” ao final do manual, iniciada pela expressão “Agora, falando sério...”, na qual o aluno abandona o tom humorístico e assume uma postura mais direta e sincera, podendo revelar inseguranças, medos, desejos ou dúvidas pessoais, promovendo uma ruptura intencional de tom que aproxima ainda mais a produção da proposta estética da obra trabalhada. Essa mudança é fundamental para que o estudante compreenda o papel do humor como forma de proteção, ao mesmo tempo em que experimenta a escrita como espaço de exposição e elaboração de si.
Por fim, caso haja entendimento de que existe espaço para tal, a proposta pode ser ampliada por meio da transformação dos textos em zines ou postagens de redes sociais.
Proposta pedagógica 4
A atividade tem como eixo central o processo de adaptação a um novo ambiente escolar, tomando como referência as experiências de Léo e Rosa, personagens da obra “Ela disse, ele disse”, que enfrentam os desafios do primeiro ano em um colégio novo, lidando com questões como amizade, pertencimento, futebol, paixões, bullying e as armadilhas da internet. A proposta compreende a escola como um espaço social complexo, no qual os estudantes não apenas aprendem conteúdos, mas constroem identidades, estabelecem vínculos e enfrentam conflitos que impactam diretamente sua formação.
Inicie a atividade com um momento de sensibilização, em que o professor propõe uma escuta musical com canções que abordem sentimentos de deslocamento, pertencimento ou mudança, podendo incluir repertórios próximos do universo dos alunos, a fim de criar uma atmosfera de identificação emocional. Seguem algumas sugestões:
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“Piloto Automático” – Supercombo
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“Trevo (Tu)” – Anavitória
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“Deixa” – Lagum
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“Amei Te Ver” – Tiago Iorc
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“Céu Azul” – Charlie Brown Jr.
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“Dois Rios” – Skank
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“Adolescente” – Jão
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“Meu Abrigo” – Melim
Procure tocar somente uma ou duas músicas, para não dispersar. Enquanto escutam, peça para que os alunos anotem uma frase que chamou atenção e um sentimento despertado. Após a escuta, convide-os a comentar quais sentimentos as músicas despertaram e a relacioná-los com experiências pessoais, especialmente aquelas ligadas à chegada em novos ambientes ou à dificuldade de se integrar a um grupo, explorando emoções como insegurança, expectativa, medo, vergonha e desejo de aceitação.
Na sequência, selecione e apresente trechos da obra que evidenciam momentos de adaptação vividos pelos protagonistas, destacando episódios de tentativa de inserção em grupos, situações de exposição, conflitos interpessoais e experiências mediadas pela internet. Você pode orientar a leitura para que os alunos percebam como diferentes situações ganham intensidade emocional e como pequenos acontecimentos podem se tornar marcantes nesse contexto de mudança. Esse movimento permite compreender a escola como um espaço de relações e tensões, aproximando a literatura da experiência cotidiana dos estudantes.
O trecho central desta atividade consiste na produção de uma narrativa intitulada “Meu primeiro dia (ou mês) em um lugar onde eu não conhecia ninguém”, na qual o aluno deverá construir uma história ficcional ou inspirada em experiências reais, explorando o processo de adaptação a um novo ambiente, que pode ser o escolar, ou não. O texto deve incluir situações como tentativas de fazer amizade, episódios de acolhimento ou exclusão, possíveis conflitos, interesses pessoais como esportes ou atividades culturais, além de expectativas e frustrações relacionadas às relações afetivas. Ao longo da narrativa, incentive o aluno a inserir referências musicais que dialoguem com os sentimentos do personagem, como se determinadas cenas fossem acompanhadas por uma trilha sonora, explicitando como a música pode funcionar como forma de expressão emocional e construção de sentido.
A socialização desta produção textual pode ocorrer por meio da leitura de trechos selecionados ou da construção de um mural temático, no qual os alunos compartilham frases de seus textos acompanhadas das músicas escolhidas, criando uma espécie de paisagem sonora coletiva da experiência de adaptação. Você deve garantir que esse momento ocorra em um ambiente de respeito e acolhimento, valorizando as diferentes experiências apresentadas.
Como fechamento, sugerimos uma roda de conversa em que os alunos reflitam sobre o papel da escola como espaço de pertencimento, discutindo o que torna um ambiente mais acolhedor e como atitudes individuais e coletivas podem contribuir para reduzir situações de exclusão, bullying e exposição.


